sábado, 24 de abril de 2010

sem título

Peça-me um beijo
e eu lhe mostrarei o Medo
pois este sim
é o rio que percorre as margens do Desejo

Peça-me o amor
que eu lhe mostrarei o Horror
pois este sim
é o rio que percorre as margens do calor

Gelado de sangue
Ensanguentado de gelo

Peça-me o Tejo
Mas este rio é o rio Vermelho

BRASIL

Andando pelas suas ruas, praias e praças me encontrei pensando em seus amores perdidos e arruinados nas fúlguras da tentação.
Encarcerados encontram-se aqueles atados pelos grilhões da paixão e livres aqueles realizados pelo amor incondicional.
O sol da liberdade brilha no céu como urra nosso clamor. Nada brilha na escuridão a não ser as infinitas estrelas matrimoniais que acabam perdendo seu esplendor nas garras da traição e das mentiras infames.
Perdido é o amor por esta idolatrada pátria? Não por enquanto. Mas arruinados estão aqueles cuja mágica apaixonada não pousou sobre seus corpos.

Jazz House

Dreams n' drinks
that's all I'm asking
no trouble in hell
nor in the jazz house

The bartender lift his arms
in search of the groovie
no trouble in the bar
nor in this jazz house

Feelings are at flesh
the girls wont stop showing their moves
no troubles in the love area
nor in the jazz house

What is this place
I'm zumbling and bumbling
I can't see no problems
This my friend, is what i call a true jazz house

Futuro Arrebatedor

Por um acaso nem tanto por acaso eu te encontrei,
lhe beijei os lábios e te perdi.
E foi o acaso que tornou essa existência pecaminosa
em demônio do anseio ou foi minha mais pura e ínfima
vontade?
Indiscreta encontra-se minha alma perante esta
obviedade casual. E intrometidos são meus modos
diante de seu parecer intimidante.
E todo esse ardor foi predito por uma força maior
ou foi um acidente voluptuoso que tornou este aconte-
cimento em portento passional?
Deixarei a versão na qual o Destino rege para os vir-
tuosos e a do acaso para os poetas. Está à sua escolha.

Quero

Quedando ao momento
calando em consentimento
querendo e querendo...

Caminhando em contratempo
cantando um só lamento
querendo e querendo...

Catando um amor ao vento
Clareando um pensamento
querendo e querendo...

Carregando um sofrimento
conservando um só tormento
querendo e querendo...

A angústia do desejo pouco a pouco envolve seu ser
Pára e fala: cortem meu singularíssimo querer
o doutor com sua tesoura altiva em tecer
diz a ela que é só parar de temer

Soneto da acidez

Teu rosto é um poço
cheio de escuridão
teu olhar é um mar
pleno de corrupção

Teu beijo é acre
teu sorriso mordaz
só quando quer abre
pois um sincero jamais

Cautela me tenha
nesta vida tenaz
que só sofre e só teima

Queime tudo deste mar
jogue tudo nesta lenha
e é com as cinzas que vai-se o amar